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Levantamento Hidrográfico no canal de Faro

Designação oficial do projeto: Levantamento Hidrográfico no canal de navegação de Faro


Data de início: 8 de Julho de 2021
Data de conclusão: 20 de Julho de 2021


Descrição detalhada: A caracterização de zonas rasas e perigosas em canais de navegação é o principal desígnio dos levantamentos hidrográficos, sendo estes também bastante úteis em vários domínios da ciência, particularmente na oceanografia geológica, em que são estudados fenómenos relacionados com a hidrodinâmica e a sedimentação.

A LS Engenharia Geográfica executou no decurso do ano de 2021, a pedido da Doca Pesca SA, um levantamento hidrográfico de ordem 1B no canal de navegação que faz a ligação entre o Cais Comercial de Faro e o Esteiro do Ramalhete, numa extensão de aproximadamente 2700 metros. As sondagens tiveram como objetivo confirmar as
profundidades mínimas de serviço nas zonas com assinalamento marítimo, sendo o canal de navegação secundário de Faro caracterizado por fundos rasos e arenosos, e o trânsito local realizado por embarcações de recreio, no âmbito do turismo.

Os levantamentos hidrográficos, com utilização de sondadores acústicos (SONAR) e navegação global por satélite (GNSS), são relativamente demorados e necessitam de uma logística exigente, bem como de um acesso a embarcações e pessoal especializado. Além dos equipamentos e meios navais, este tipo de operações requer ainda apoio externo, sendo que neste caso isso incluiu a instalação de um marégrafo e de uma estação de referência GNSS.

Esta metodologia permite a determinação de profundidades com elevada precisão, mas acaba por ser limitada pelos custos operacionais que exige, a par da reduzida capacidade de ação em zonas de baixa profundidade, em que só se torna possível trabalhar em regimes de preia-mar.

De acordo com a publicação S-44 (International Hydrographic Organization Standards for Hydrographic Surveys), um levantamento hidrográfico de ordem 1B destina-se a áreas onde o tipo de trânsito previsto é tal, que uma representação geral do fundo é considerada adequada. É necessária uma cobertura batimétrica uniformemente distribuída, ainda que não seja total, para a área de levantamento. Isso significa que algumas feições não serão detetadas, e por isso, esta ordem de levantamento só é recomendada quando a distância da quilha ao fundo não é considerada crítica. Um exemplo disto são as zonas onde existe uma baixa probabilidade de existir um objeto no fundo que constitua um fator de risco para a navegação.

Na execução deste projeto foi utilizado um sondador de feixe simples, instalado numa embarcação de recreio, que realizou 280 fiadas transversais ao canal de navegação. Através da tecnologia SONAR utilizada, conseguimos determinar as profundidades com rigor, deixando apenas uma margem de incerteza de aproximadamente 0,02 metros.

O posicionamento das sondas foi assegurado pelo sistema de posicionamento GNSS a operar em modo RTK, uma técnica que permite uma precisão de posicionamento melhor que 0,03 metros e ainda a redução da altura de maré em tempo real, recorrendo-se às leituras do marégrafo instalado no Cais Comercial apenas como forma de validação ou redundância da informação obtida.

Deste projeto de levantamento hidrográfico fizeram parte dois hidrógrafos e um mestre de tráfego local. Os dados obtidos permitiram produzir um Modelo Digital de Elevação para a caracterização geral da zona, onde a profundidade média é de cerca de 3 metros relativamente ao Zero Hidrográfico, tendo sido identificadas profundidades negativas,
mas também algumas zonas mais profundas, com um total de 8 metros de profundidade.


Desafios: As características do local implicaram a utilização de embarcações de recreio que não estavam preparadas para a instalação de computadores e equipamentos diversos, necessários à execução dos levantamentos; a necessidade de habilidades de pilotagem no domínio da trajetória da embarcação foi também evidente, uma vez que os levantamentos são feitos perpendicularmente à direção do fluxo da água, e a velocidade e força sentidas foram elevadas após os períodos de baixa-mar e preia-mar, dificultando assim todo o processo.


Vantagens: Atualização de dados hidrográficos importantes, que permitem identificar com rigor as zonas rasas, estudar processos de transporte de sedimentos e, caso necessário, planear ações de intervenção como dragagens.


Áreas de intervenção: Hidrografia e Topografia

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